Moradores do residencial Parque United States, localizado no bairro Shopping Park, em Uberlândia, denunciam a falta de transparência na gestão e questionam o destino das taxas condominiais. Recentemente, o fornecimento de água foi cortado no condomínio devido a uma dívida acumulada de R$ 572 mil com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), o que gerou grande preocupação entre os residentes.
Composto por 61 blocos e cerca de 960 apartamentos, o condomínio abriga aproximadamente 5 mil pessoas, que agora buscam explicações sobre a gestão. Segundo relatos obtidos pelo Paranaíba Mais, a situação financeira vem se agravando nos últimos meses. O síndico, Paulo Vitor, que assumiu a administração em abril, estaria adotando medidas sem a devida transparência ou diálogo com os condôminos. Isso inclui um recente aumento da taxa de condomínio, passando de R$ 267,00 para R$ 283,00 por apartamento.
Além da crise com a conta de água, os moradores afirmam que o condomínio também possui débitos com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Para garantir a religação da energia em algumas áreas, o síndico teria transferido a titularidade das contas para seu nome, mas a empresa não fornece o valor exato das dívidas, alegando questões de proteção de dados.
Um morador, que preferiu não se identificar, expressou indignação: “Queremos saber onde está o dinheiro referente aos nossos pagamentos. Foram vários parcelamentos com o Dmae, totalizando mais de R$ 500 mil, e nada foi resolvido. Quando a água estava prestes a ser cortada nesta quinta, o síndico mandou romper o lacre e religar o hidrômetro”.
Embora o religamento seja de responsabilidade do Dmae, essa ação pode resultar em novas multas e sanções judiciais. O departamento confirmou a inadimplência e o corte, destacando que é necessária a quitação dos débitos para o religamento.
As críticas à administração se estendem a outros pontos. Moradores relataram à TV Paranaíba que o síndico aplica multas a quem questiona a gestão. Uma condômina mencionou ter recebido quatro penalidades em quatro dias, cada uma no valor de R$ 1.330. Outra residente, que também preferiu não se identificar, relatou que alguns blocos tiveram a energia cortada pela Cemig e estão operando com ligações diretas, conhecidas como “gatos”. Após questionar a gestão, ela afirmou ter sido ameaçada e recebida por uma pessoa enviada para intimidá-la. “Minha unidade foi multada várias vezes sem que eu soubesse o motivo,” disse ela, acrescentando que as dívidas do condomínio já ultrapassam R$ 3 milhões. “Houve assembleia sem qualquer prestação de contas, sem apresentação de documentos ou explicações sobre a situação financeira.”
Em resposta à reportagem, a administração do condomínio enviou uma nota esclarecendo que já resolveu a problemática junto ao Dmae e acredita que em breve o equilíbrio econômico do condomínio será restabelecido. A gestão do condomínio também ressaltou que a comunidade supera, em número de habitantes, mais de 30 cidades do Estado de Minas Gerais, o que sinaliza a complexidade de sua administração.
No entanto, é importante salientar que a inadimplência histórica do condomínio supera 50% da previsão orçamentária, sendo que muitas unidades foram retomadas pela Caixa Econômica Federal por inadimplemento, o que compromete ainda mais as finanças. A administração atual herdou uma situação financeira delicada, com uma gestão anterior que deixou um caixa zerado e dívidas superiores a R$ 1,5 milhão.
Por fim, a administração destacou que tem envidado esforços para regularizar a situação, renegociando dívidas e implementando políticas de recuperação das taxas condominiais em atraso. Recentemente, foi aprovado um reajuste na taxa condominial, que contribuirá para o equilíbrio econômico do condomínio. Contudo, a administração reconhece que este processo é moroso e ainda não produziu os efeitos esperados nos poucos meses de gestão atual.














































