Na madrugada deste domingo (13), uma menina de apenas um ano de idade deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Uberaba, no Triângulo Mineiro, apresentando insuficiência respiratória severa e múltiplos ferimentos pelo corpo. Conforme o boletim de ocorrência, os profissionais de saúde constataram marcas roxas na cabeça, no tórax, no abdômen, nas costas e nos pés, além de uma lesão torácica com características de queimadura. Devido à gravidade, a paciente precisou ser entubada e submetida a manobras de ressuscitação antes de ser transferida para o Hospital de Clínicas, onde permaneceu sob cuidados intensivos e em estado crítico.
Atendimento inicial e relato de engasgo
Por volta da 1h, a genitora compareceu à unidade de saúde acompanhada de seu companheiro e padrasto da vítima. Inicialmente, ela alegou que o quadro havia ocorrido após a menina se engasgar ao mamar. Como a bebê exibia pouca reação aos estímulos e esforço excessivo para respirar, a equipe médica aplicou manobras de desobstrução e oxigenoterapia. Logo em seguida, os exames visuais revelaram contusões espalhadas, marcas nos pés e uma lesão suspeita no tórax.
Agravamento e transferência hospitalar
Diante da deterioração clínica, o suporte avançado foi acionado para viabilizar a remoção da paciente, sendo executada a intubação orotraqueal e novos procedimentos de reanimação cardiopulmonar. Embora os sinais vitais tenham apresentado estabilização momentânea, a criança sofreu outra parada cardíaca antes do transporte, exigindo intervenções imediatas. Já no Hospital de Clínicas, a equipe médica avaliou a possibilidade de traumatismo cranioencefálico, fraturas nas costelas e marcas que remetiam a queimaduras de cigarro, aguardando exames complementares para confirmação.
Contradições nos depoimentos prestados
Durante o atendimento policial, a versão materna passou por alterações. Após sustentar a tese de engasgamento, a mulher argumentou que a filha havia despencado do berço. Contudo, após diligências na residência, os agentes concluíram que a estrutura do móvel tornava tal acidente incompatível com os ferimentos observados. Os responsáveis relataram ainda que viviam juntos há três meses, tendo mudado recentemente de Ubatuba (SP) para o município mineiro.
Comportamento do padrasto e condução à delegacia
O padrasto havia se ausentado da UPA logo após a chegada, retornando horas depois. Justificou a saída afirmando que estava sem camisa, mas os policiais localizaram vestimentas masculinais e pertences da criança no veículo deixado em casa. Após apresentar narrativas contraditórias sobre os fatos, a equipe médica atestou que não havia indícios de vias aéreas obstruídas por líquidos.
O Conselho Tutelar foi comunicado para acompanhar o caso, com retorno previsto para o dia útil seguinte. Devido às lesões incompatíveis com acidentes domésticos e aos depoimentos divergentes, o casal recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, que assumiu as investigações para esclarecer a dinâmica do crime.
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