Estudantes contratados por meio de uma empresa terceirizada para atuar no Procon Municipal de Uberlândia têm enfrentado uma rotina de instabilidade financeira, marcada por esperas de até 20 dias para receber a bolsa-auxílio de R$ 1,2 mil. Além disso, a categoria relata um cenário de desgaste na rotina interna do órgão de defesa do consumidor, que afeta diretamente o atendimento à população. Conforme os relatos coletados por representantes do grupo, os problemas com os repasses vêm ocorrendo de forma recorrente e prejudicam estudantes que contam com o valor para arcar com despesas básicas, tais como transporte, alimentação e mensalidades de instituições de ensino.
Por outro lado, os estudantes apontam que a responsabilidade pelos pagamentos é da empresa Natos, terceirizada contratada para administrar os contratos de estágio. Enquanto os servidores efetivos recebem em dia, os estagiários lidam mensalmente com a falta de previsibilidade e com a ausência de transparência administrativa. Posteriormente, diante de denúncias anteriores, um processo administrativo chegou a ser instaurado no início do ano, resultando em uma reunião formal e na assinatura de uma ata com validade jurídica para estipular prazos. Contudo, os alunos afirmam que o acordo foi desconsiderado unilateralmente e repassado para a gestão da terceirizada, gerando ainda mais revolta.
Como resultado dessa instabilidade, o impacto social e financeiro na vida dos jovens tem sido severo. Por exemplo, uma das estudantes relatou que colegas precisaram deixar o estágio para buscar outras fontes de renda devido à falta de recursos para manter a própria casa. Outro caso citado envolve uma aluna que perdeu o desconto na mensalidade acadêmica e acumulou juros superiores a R$ 1,5 mil em virtude do atraso do benefício. Apesar do papel central que desempenham na manutenção do atendimento do Procon — já que o órgão sofre com defasagem no quadro de efetivos —, os estagiários ainda denunciam um ambiente de trabalho hostil, marcado por cobranças desproporcionais e tratamento infantilizado por parte de alguns servidores comissionados.
Por fim, diante da falta de respostas concretas e da repetição das falhas nos depósitos, o grupo estuda realizar uma paralisação coletiva das atividades. Enquanto aguardam um posicionamento definitivo, os trabalhadores cobram transparência e respeito às leis trabalhistas. Vale ressaltar que a reportagem tentou contato com a Prefeitura de Uberlândia, com a direção do Procon e com a empresa terceirizada para obter esclarecimentos, mas o espaço segue aberto.















































