
Fiscalização resgata 16 bolivianos, incluindo adolescente, em oficinas com jornadas superiores a 12 horas e condições degradantes
Uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) autuou as marcas de roupas Anne Fernandes e Lore por trabalho semelhante à escravidão. A ação identificou graves irregularidades em oficinas de costura na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ao todo, 16 trabalhadores bolivianos, incluindo uma adolescente, foram resgatados da situação degradante.
As inspeções ocorreram entre agosto e setembro de 2025, em imóveis localizados nos municípios de Betim e Contagem. De acordo com os auditores fiscais, os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas superiores a 12 horas diárias. Além disso, a remuneração era feita por produção, variando entre R$ 20 e R$ 80 por peça, o que resultava em rendas mensais abaixo do salário mínimo.
Ambiente insalubre e presença de crianças Ainda segundo o MTE, os ambientes apresentavam condições precárias, com falta de ventilação, fiação exposta e ausência de higiene básica. Inclusive, os fiscais relataram a presença de crianças vivendo nos mesmos locais das oficinas; em um dos casos, bebedouros estavam instalados sobre vasos sanitários.
Contudo, as marcas mantinham relação direta com as oficinas. Os relatórios apontam que representantes das empresas visitavam os locais regularmente para monitorar pedidos e entregar insumos, o que caracteriza responsabilidade sobre as condições encontradas.
Posicionamento das empresas Em nota, as empresas negaram responsabilidade direta sobre a gestão de pessoal. A Lagoa Mundaú Indústria (Anne Fernandes) afirmou que a relação era estritamente mercantil e que o fornecedor era autônomo. Da mesma forma, a marca Lore esclareceu que rescindiu os contratos imediatamente após as denúncias e que não compactua com violações à dignidade humana.
Por fim, se as autuações forem mantidas após a análise administrativa, as empresas poderão ser incluídas na “lista suja” do trabalho escravo.










































